APENAS QUESTÃO DE GOSTO
Romance

INDEX

Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8

Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11

Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14

Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17

Capítulo 8

Sabe por que é que o caneco da Copa de 70, aquela tal de Taça Jules Rimet foi roubada dos abre-alas da CBF e nunca mais apareceu? Não foi porque a CBF abrisse os escondidos ou tirasse os vigias das portas dos banheiros, foi porque ninguém acreditou que ela fosse de ouro maciço. Num país onde o ministro da Fazenda afirma que a inflação deste ano não passará de 120% e os meus pobres cruzeirinhos, só no ano passado, entraram num ralo de mais de 200%, que cidadão acreditaria que um simples caneco de futebol era de ouro? Só mesmo quem comprou geladeiras na Brastel e letras de câmbio na Coroa, e, no estouro desse cidadão honorário e sócio de meia dúzia de Clubes de Diretores Lojistas, ficou sem gelo e sem dinheiro. Como sempre dizia meu velho pai e dizia muito bem, quem entende de fazenda é fazendeiro, ministro entende é de ministrar salamaleques. E de cidadanias honorárias.

Por isso, o casal 20 do balcão da boa estada me olhou de banda, que nem banqueiro fuzilando piquete de grevistas, tentando adivinhar por que um Adauto Simplício qualquer queria ver os nomes, os apartamentos e os ramais telefônicos de todos os cururus do grande cidadão. Mas eu não era um Adauto Simplício simplício. Eu era um puta de um Humphrey Bogart, que entendia mais de farejar escondidos do que qualquer ministro da Fazenda entendia de adubos cambiais. E parti para cima do 10-10 já prevenido para brocar a primeira cárie que amarelasse o sorriso da menor dúvida que rolasse no balcão. Se a carteira de jornalista da Revista da Cidade não bastasse para converter qualquer descrente das verdades do Jornal Nacional, editadas à la guia de bom civismo e servidas ao molho da melhor educação capitalista, a carteira do terceiro grau das soluções já tinha tomado as mais adequadas providências. Um pelotão de marechais, em estado de prontidão, só aguardava a ordem de marchar e fuzilar as dúvidas dos Incréus. Afinal, se o Rin-Tin-Tin botava para correr a bandidagem mais barbada só com meia dúzia de latidos, não seria eu que medraria com um simples olhar de banda e deixaria uma Lassie à la Nunca Fui Santa continuar numa pior de solidão na sua talamidade conjugal. Mas não foi nem preciso botar o pelotão dos marechais em função de. O zoom da Nikon foi suficiente. Mal apontou a mira para a banda do casal o olhar de sumiu no oco da saudade e nenhuma cárie se atreveu a amarelar os sorrisos que vieram.

Dois cliques preceituosos e pronto, pt, saudações. Os segredos dos registros abriram-se mais do que flor de laranjeira em buquê de noiva quarto canto. Mas, mesmo que todas as precauções entrassem pelo cano e as cáries continuassem amarelando as dentaduras, ainda sobrava o velho sabe com quem está falando? Afinal, vinte anos de manda quem tem farda ou faz-de-conta, obedece quem não tem, era um refluxo libidinal para nenhum doutor Freud botar defeito. Só que nem o divã foi necessário. A promessa de encaixar os retratos na matéria obturou todas as cáries.

- E vai sair quando?

- Logo que eu voltar pro Rio.

- E volta quando?

- Logo que terminar a reportagem.

Falou de reportagem, falou do tamanho das comportas de Itaipu, falou do tricampeonato da Copa do Mundo de 1970, falou do ouro de Serra Pelada, falou do oxigênio no pulmão da floresta da Amazônia, falou do Electoral College Pictures, Um, cem, mil, viva Tancredo Neves, presidente do Brasil!, falou bonito, falou tudo e marcou gol. E marquei mesmo. A meia-calça botou a dentina nos propósitos e só não soslaiou um mormação porque não tinha mais que soslaiar. A certeza do impresso pesou mais do que o prendo e arrebento dos cavalos do presidente Figueiredo. Razão e muita tinha o velho Abílio Quitandeiro, vascaíno roxo e meu falecido tio e padrinho, mesmo que o altar de São Januário faça milagres e a camisa do Vascão vire carimbo de notário, nada como um bom cheque de contrapeso para botar o time nos conformes.

- Se precisar de mais alguma coisa é só falar.

Para empatar o jogo das ofertas, mandei ver um souza cruz, puxei duas das bichadíssimas e montei nos trinques da melhor educação.

- Muito obrigado. Talvez precise mesmo, quem sabe?

- Sempre às ordens.

- Poderia pegar a minha chave?

Foi a vez do páreo porta de cemitério fazer as honras do balcão. Com um voleio de deixar o Bjorn Borg mais píssico do que o presidente Jânio Quadros tentando justificar a renúncia com umas tais de forças ocultas, o bigode no cultivo colocou na minha mão o sésamo de São Pedro. Se até o Serviço de Meteorologia, na dúvida, consultava hidrovidentes, e, mesmo assim, só não errava quando o meteorologista marcava o boletim que nem cartela da loteria esportiva, retribui o voleio na maior conformidade.

- Obrigado.

Já o disse e repito. Meu velho pai tinha razão. Mais vale gastar em purgante do que poupar em papel sanitário. Aquele obrigado entrou nas curvas do casal que nem o Nelson Piquet entrava nas do autôdromo de Jacarepaguá, e nem os pelotões dos centígrados tiveram peito de enfrentar os farenheits que chisparam do 10-10. Com ou sem Humphrey Bogart aquela stand-in da Lauren Bacall já estava mais na minha do que a Lassie jamais esteve numa qualquer do Rin-Tin-Tin. E o voleio do Bjorn Borg já se via manchete na primeira página, campeão de Wimblendon e arredores. Satisfeito com o faz-de-conta do zoom da minha Nikon, esmaguei o que sobrou do souza cruz no brunido do cinzeiro e fui fazer por onde no meu apartamento.

Depois de tudo que tinha acontecido de manhã, o Cruz! Cruz! Cruz! da figadeira afogado na maior litragem de minerais magnesianas e o pé-direito do quadrado da largura do pinípede me embromando com os tais de efeitos especiais, onde se viu marreco virar cisne a não ser por obra de milagre, almoçar seria muito pior do que pegar uma mina no calçadão da fama da Avenida Atlântica e verificar, nos finalmente, que a mina não era mina, era mino. Aí, já viu. Na cautela, cubei um Ballantine’s no capricho e fui ver o que podia ser visto nos meus apontamentos. Onde ficava quem e com quem, e que ramal telefônico condizia. Afinal, um Benjamin Franklin a cada vinte e quatro horas pagava, e muito bem, qualquer mergulho que o pinípede quisesse dar em tálamos fora de qualquer conjugação talamônica.

Sub. Ainda bem que o Dicionário do Aurélio não me deixa mentir. Sub, prefixo = posição inferior, inferioridade. Não fui eu que fiz as reservas, nem o Aurélio, tenho certeza, mas o caso é que nenhum dos subeleitos do Senhor dormia no hotel. Nem o fato do Werner Herzog ter pago uma nota pretíssima ao Antônio Solestício só para ligar as tomadas no monstro de talento foi razão suficiente para que o nosso gaffer Tom Só saísse do amontoado dos subs e entrasse na ordem dos eleitos. Apesar de ser o mais competente eletricista-chefe que aperta parafuso nos bornes de Itaipu, o nosso Tom Só era apenas um gaffer e os gaffers são gaffers. Não tiram a roupa nas cenas mais dramáticas nem cagam nos roteiros. Dos outros subs também nada falavam os meus apontamentos. O que, valha a verdade, beneficiava paca o meu trabalho. Em vez de cheirar boduns de subs e mais subs, só as fragrâncias do Estado-Maior Conjunto besuntariam as dermes do meu farejo. E mesmo que cada um castigasse a sua marca registrada, ainda assim seriam apenas nove farejadas. A do nosso poderoso chefão, Zózimo Forfait, produtor e diretor do próximo vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, a da nossa muito mais do que querida Florismália, Catarina Bordalo, a maior estrela do cinema brasileiro, a Brigite Bardot dos baixios equatoriais paga para tirar a roupa nas cenas mais dramáticas, a do nosso inimitável grande cidadão, Geraldo Columbano, o ator de todas as grandes novelas da televisão brasileira, hoje debutando no cinema, a do nosso genial diretor de fotografia, Patrick Silvera, peagadê em diafragmas e outros obturadores playbóicos, a do nosso sensacional diretor de som, Nito Lemos, o turbinado raio x dos decibéis, a da nossa magnífica continuísta, Selma Lívia, a lente microscópica das errâncias, a da nossa brilhante figurinista, Dorotéa Mé, a Tesoura, Agulha & Linha Ltda dos puta merda, como é que pode eu ter engordado deste jeito, a da nossa perfeita secretária, Lalá Gomes, a chave dos memorandos e arquivos, e a do nosso ilustre roteirista, Ximenes Paraguaçu, Ximu, esforçadíssimo pai dos 15 tratamentos cururus. Fugiam à aspiração cautelar do meu nariz o nosso maravilhoso cururu voador, Guilherme Teles, o nosso grande diretor de arte, Rofre Santoro, dados como maridos e/ou meantes de colchões e de lençóis da nossa fascinante maquiadora, Mila Jó, e da nossa famosa cabeleireira, Zita Preta, e um único apartamento vazio no primeiro andar, interditado, me disse o ganhador do páreo porta de cemitério por incontinências hidráulicas, e com as persianas filetando vislumbres no escondido interno do jardim.

Satisfeito com o tamanho do trabalho, e ainda mais com a perspectiva de aparecer algum Chanel nos galões do Estado-Maior Conjunto, mandei ver outro Ballantine’s bem cubado e entrei numa de geógrafo. Não conhecia a disposição dos apartamentos do hotel, mas, conhecer, era o de menos. Não dizem por aí que um tal de Mendeleyev, um daqueles russos barbudões de antes do Muro de Berlim, é que devia ser o técnico da seleção brasileira, pois não tabelou e crismou todos os elementos conhecidos e acertou na mosca todos os que ainda não tinham sido descobertos? Eu nunca fui muito dado a tabelas, as únicas que pintavam no meu quintal eram as da mesa de sinuca, mas, se um sujeito, no tempo do Dom João Sem Til, sem avião e sem submarino, pôde dar uma de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, por que é que eu não podia dar uma de marechal Rondon da floresta e descobrir as malocas dos eleitos? Afinal, dar por dar, tanto se dá em russo quanto se dá em português. O importante não é a língua nem o sotaque, é a intenção e a vontade. E, claro, a facilidade dos conformes. Não sei quais eram os do russo, mas os meus eram só dois. Primeiro, não deixar nem gelo no copo, que a dose do Ballantine’s do Glória custava mais do que uma garrafa lacrada no meu contrabandista oficial. Segundo, já que o hotel estava cheio, sair pelos corredores, anotar onde se malocava cada eleito e botar as chaves mixas em função de gazuar as fechaduras e verificar se alguma dobradiça rangia.

Definida a estratégia e contornados os conformes, o resto foi apenas questão de olho métrico e cuidado para não ser pego por alguma camareira desgarrada ou algum eleito dispensado do trabalho antes do tempo. Mas Deus sabe o que faz. Quem deu o duro que Ele deu para fazer o que fez em seis dias, não iria fazer dupla com os pelotões dos centígrados e afogar em suor um trabalhador esforçado que nem eu. E não afogou mesmo. Dez minutos depois, sem camareiras desgarradas e sem eleitos dispensados do trabalho antes do tempo, a minha tese de doutorado em geografia hoteleira estava pronta. Só não botei nota de pé de página no apartamento interditado porque incontinências hidráulicas são assunto de bombeiro e não valia a pena perder tempo com carpetes manchados a mofo e banheiros matraqueados a rolha de cortiça.

Eu não entendo de formigas e nunca entrei num formigueiro, mas já morei numa cabeça-de-porco nos meus tempos de catador de bicharada perdida no Aterro do Flamengo e encruzilhadas circundantes, e sei a zorra que é misturar quatro sexos no mesmo corredor. Por isso, não estranhei que a minha tese de doutorado hoteleiro virasse carta registrada no carimbo do tal do cum laude, o nec plus ultra de que tanto falava D. Maricota, aquela admiradora fissurada das duzentas mil páginas de A Retirada da Laguna e gargarejadora jubilada de frases lapidares dos meus tempos de colégio. Com a suíte do pinípede escondida numa travessa de fundo de corredor e rodeada de batom e gilete no sovaco, o que é que vocês acham que faltaria para o arco voltaico da Lassie à la Nunca Fui Santa chispar relâmpagos em céu de brigadeiro? Ganhou o caneco da copa Acredite Se Quiser quem já se hospedou nesse tipo de suíte e sabe como é fácil chegar lá, mesmo com olharinos mal-intencionados intrometendo dispositivos de flagração da melhor qualidade up to date. Mas será que um quadrado da largura, tão quadrado que se propunha ganhar o Oscarão dos vôos à la cururu verde e amarelo, entendia mesmo de suítes atravessadas em fundo de corredor? Com o apartamento do lado ocupado pela nossa perfeita secretária, o seguinte ocupado pela nossa magnífica continuísta e a suíte em frente ocupada pela nossa muito mais do que querida Florismália, vocês acreditam que o nosso pinípede teria medo de mergulhar no maior sorvete de mar de tubarão? Mas de jeito maneira. Mesmo considerada a nossa condição de país de um 5º mundo já descambando para a 45ª posição, com três baitas batons vigiando a penumbra da travessa do fundo do corredor, era certo, certíssimo, que uma das três mandava ver baitérrimas emoções microbianas na privada do pinípede. Qual delas, só Deus me poderia dizer. Isto, se Deus não ganhasse a vida como eu ganhava. Na dúvida, que nunca vi Deus adaptar a gabardine e o chapéu do Humphrey Bogart e os 212 graus farenheit da Lauren Bacall ao asfalto da Avenida Rio Branco, tratei de comprovar a excelência das chaves mixas, presente de um mão-leve agradecido que aliviei de uma furada ainda nos meus tempos de alavanca do bem-estar social e suposto sustentáculo da ordem constituída. Abertas a portas à sorrelfa, adoro sorrelfas, me fazem imaginar o Dirty Harry do Clint Eastwood fazendo cooper no calçadão da praia de Copacabana de robe e de pantufas, não deu outra. Nada comunicava com nada. De forma que, se o pinípede quisesse dar um mergulho em tálamos fora de qualquer conjugação, qualquer das nossas giletes sovacais teria que entrar na suíte do mistério pela porta dos tapetes. Ou, então, o que acabaria com qualquer tese à la doutor Freud de motel, o quadrado da largura não estava nem aí para as chispas raiolínicas da Lassie à la Nunca Fui Santa e mandava ver em cama alheia. O fato é que o doutorado me deixou no mato sem cachorro e nenhum rangido nas dobradiças das portas. O único fator ponderante, que me encheu de água a boca das costelas, foi o tamanho da cama da suíte do pinípede. Um camão à la calçadão de praia e um colchão com mais molejos do que os acostamentos acolchoados da nossa muito mais do que querida Florismália em função de cena mais dramática. Isto, no quartão da pompa. Que no quarto da circunstância ainda tinha mais três colchões em compasso de espera. Quatro camas numa suíte, convenhamos, era mais bem-bom do que muriçoca em harém de cururu. Mas era a serventia da casa para pescadores de robalos casados com Lassies que assinavam cheques com canetas mais douradas do que o Oscar do Rocky, Um Lutador, aquela máquina de porrada que os músculos do marombão do Sylvester Stallone estrelaram como aperitivo para as futuras firulices do Rambo.

Lembra daquele seriado que matou a pau todos os índices do IBOPE, O Momento Culminante: X do Problema versus S da Solução? Aquele detetivão não era do balacobaco? Em menos de uma hora, ao chegar onde eu cheguei, e sem dobradiças rangentes, pegava a cama do meio sem a menor hesitação, mandava ver duas louras peitudas e três garrafas de bourbon, trancava a porta e começava a festa com a comemoração da vitória. A gente sabia que era comemoração porque a tela escurecia e o The End nos deixava com mais água na boca do que tubarão gritando uau! Não é por nada, não, mas eu gostaria de ser como ele. Uma hora de trabalho e de anúncios, um olhar daqueles de mata-mosquito em capinzal no medio stat virtus e finis, vamos comemorar que o roteirista não é bobo e o diretor manja do riscado. Só que eu sempre tive o maior freio na pista dos cem metros das soluções à la virtude está no meio. Aliás, dois freios. Aliás, três. Nunca conheci duas louras peitudas dispostas a comemorar na graciosa, não gosto de bourbon e ninguém me escreve um roteiro onde eu possa gastar à la filho mais do que pródigo sem receber um puto vintém de pagamento, como sempre acontece no assim é que é televisão. Caindo na real, se resolvesse todos os meus casos em menos de uma hora e não recebesse pagamento, que eu nunca vi nenhum detetive da televisão receber um puto por conta do que fosse, quem pagaria a gasolina do meu Porsche Turbo 3000 e o Ballantine’s da minha digestão? E os outros badulaques?

Por isso, quando pintou aquela verdade sem volta, a maloca do pinípede arrodeada de batons em função de desodorante mais íntimo, fiquei mais descolhoado do que o Zico quando o juiz terminou a partida antes que a bola entrasse e invalidou aquele golaço de cabeça que ele fez contra a Suécia, na Copa de 78. Para quem tinha certeza de cravar o nº 5 do Chanel em, pelo menos, umas trinta diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar, resolver o caso em três dias era pior do que ser convidado pela nossa muito mais do que querida Florismália para pular o Carnaval e pegar um terçol em cada olho.

Mas, já lá dizia meu velho pai e dizia melhor do que ninguém, pensar é que nem honrar pai e mãe. Se tem tutu na jogada tomara que morram logo. Eu tinha tutu na jogada, afinal um Benjamin Franklin a cada vinte e quatro horas, não era nada, não era nada, eram quase três marechais a cada hora. Só que, como nem o pinípede nem a Lassie me tinham parido ou aderido, pensar era o de menos. Por mais praga que rogasse, nem paulina de papa os botaria no Caju. Aliás, quanto mais pensasse, melhor. Quem sabe, de repente, aquela heureca que salvou a pátria de um tal de Arquimedes não pintava no meu pedaço e salvava também a minha?

Mapeado o caminho, só faltava solar as alpargatas. Já que tinha que esperar a tal da heureca, nada melhor do que esperá-la bem acompanhado. Aí, mandei o preço da dose do Ballantine’s catar chimpanzés no campanário das urtigas, e dobrei foi a cota da cubagem. Na mosca. A primeira heureca apareceu logo que o copo esvaziou: pedir mais uma garrafa. A segunda pintou mais devagar, mas pintou: jantar no quarto e deixar o marfim rolar na cuca dos eleitos. Não eram ainda as heurecas salvadoras, mas já davam para o gasto. Pelo menos, ajudavam a compor a cor local do trabalho. Jornalista que se preza só trabalha turbinado e o Adauto Simplício era um puta turbinão. Zeloso da profissão, trocava até a companhia dos eleitos e dos bebes pela escrituração seca da matéria.

Satisfeito com as duas primeiras heurequinhas, pedi o mais papal dos jantares, eu e mais eu e sem resquício de molhos femininos, tranquei a porta do apartamento e fiquei à coca da heurecona, a salvadora da pátria. Afinal, de uma forma ou de outra, eu ainda era um patriota. Acendia velas nos altares do meu Santo Expedito das causas urgentes e dos negócios que precisam de pronta solução e, à cautela, tomava banhos de descarrego para cortar os maus-olhados, sonegava todos os impostos que podia, dava gorjetas a todos os garçons, plantava um pé de boceteiro na janela e, se nunca fui mecânico nas oficinas dos DOI-CODI, foi porque nunca entendi de motores movidos a cacete ou choque elétrico. Mas, ou tinha honrado meu velho pai e minha santa mãe que Deus tenha a mais da conta, ou a fila das heurecas batia longe os filarões dos postos de saúde. O fato é que dez marechais já tinham batido continência ao gargalo da garrafa e a heurecona, necas. Com o chrono do meu casio alarm já trincando as 23:14 12, o meu saco bateu pé e resolveu virar balão. Sabe que mais? Que se fodessem as ciências e o tal do Arquimedes que pegasse a salvadora e a metesse no lugar mais indevido.

Não era por nada, não, mas um patriota que nem eu, que conseguiu adaptar a gabardine e o chapéu do Humphrey Bogart e os 212 graus farenheit da Lauren Bacall ao asfalto da Avenida Rio Branco e se deu bem, não tinha como depender da boa vontade de ninguém. E muito menos de uma senhora mais fricotada do que madame de Ipanema pechinchando até preço de cenoura em barraca de feira-livre. Que se danasse a dona heureca, que o meu profissionalismo, graças a Deus, sempre esteve acima da suspeita mais corruptível. Se o meu Santo Expedito achava que a causa era urgente e o negócio precisava de pronta solução, vamos em frente e pt, saudações. Que me perdoasse meu velho pai, mas naquela noite não haveria mais honra de pai e mãe. Acabado o Ballantine’s do copo, babau. O verbo pensar deixaria de ser verbo, o zoom da Nikon entraria em função de e a Lassie poderia açaimar de vez o Rin-Tin-Tin. Ponto, parágrafo, e vamos direto aos finalmentes. Quem sabe, lá no ultimíssimo, a Lassie não era mesmo santa e me compensava a perda das diárias à la taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar com um sonão reparador no maior do meu sonho de consumo? Milagres acontecem. O milagre brasileiro, apesar do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns não aprovar os métodos dos santos de Brasília, não ganhou a Copa do Mundo de 1970?

Os finalmentes eram quatro. E todos do maior cuidado e gravidade. Mas, como não gosto de quatros, principalmente de andar e de fazer, arrumei um quinto para equilibrar qualquer tropeço. Que foi o primeiro da lista. Um Ballantine’s bem cubado, matador daquele frio que dá na espinha quando você não tem certeza se o pé direito é o pé que vai na frente. Turbinado o corpo e o espírito, entrei direto na lista dos outros. Primeiro, verificar se a nossa muito mais do que querida Florismália já tinha atravessado o meridiano coracínico, que a cama do pinípede era muito mais condizente com o quadrado da largura, segundo, separar a chave mixa mais adequada à fechadura da suite, terceiro, ajustar o zoom da Nikon para uma distância máxima de dois metros, e, quarto, experimentar a bateria do flash, não fosse o santo protetor dos casamentos coloridos entrar em ação de e cortar os volts na hora do vamos ver.

O chrono do meu casio alarm cravava, exatamente, 23:45 37 quando peguei o telefone e disquei o ramal da suíte das cenas mais dramáticas. Se a nossa muito mais do que querida Florismália não atendesse, também era certo, certíssimo, que a esquerda tinha ganho as eleições. Só que, tem hora, nem a gramática serve de fundamento. E este certo, certíssimo, mesmo continuando adjetivo, tinha mandado o grau superlativo cantar o fado no campanário das urtigas. E a merda é que o meu primeiro finalmente da lista fadou junto com ele. Em vez do silêncio esperado, no terceiro toque da campainha foi um florismalíssimo alô que encerou o meu ouvido.

Lembra da cara do marombão do Sylvester Stallone quando o campeão do Rocky, Um Lutador caiu na lona? Se botasse um telefone na mão dele o espanto seria igual ao meu. Até aquele sorriso torto de cachimbo saía do mesmo molde forma. Puta que o pariu, e agora? Agora, já lá dizia meu velho pai com a sabedoria que Deus lhe deu, agora é que nem hora. Rima com embora, mas só rima, não resolve. Fazer o quê? Responder ao alô e dar uma de bobeira que nem aquele vereador de Porto Alegre, sumido do mapa dos eleitos por usar no seu discurso de posse o palavrão liberdade, banido da língua pelos dicionaristas de Brasília, ou bancar o presidente do IPM da bomba do Riocentro no faz-de-conta que ninguém escutou a explosão? Salvou-me do dilema de optar entre a bobeira e o faz-de-conta uma seqüência de três alôs, seguida de um silêncio e de um clique que fez a linha ficar muda.

Mistério, quando não sai do rosário que minha santa mãe, que Deus tenha, rezava todas as sextas-feiras da quaresma, é um troço cabeludíssimo. Com o chrono do meu casio alarm já chispando 23:47 12 e aqueles alôs sem nenhum sotaque cheirando a depois de, se a roupa das cenas mais dramáticas ainda continuava cobrindo o dramatismo, das três uma. Ou o horário de verão ainda não tinha chegado a Caxambu, ou a nossa muito mais do que querida Florismália não florismava o quadrado da largura do pinípede, ou o ato contraventivo seria rezado em outro campanário. Três hipóteses perfeitamente conjugáveis mas com fatores tão desalinhados, que aquela tal de a ordem dos fatores não altera o produto não passava de promessa de eleição perdida antes do voto. De qualquer forma, como ainda restavam três finalmentes na lista, deixei o produto por conta dos fatores e passei aos detalhes do segundo.

Que foi fácil. As doze chaves mixas já me tinham gazuado mais portas do que operários se tinham filiado ao Partido dos Trabalhadores, e a primeira que experimentei na fechadura da suíte do pinípede não negou a procedência. O mão-leve que as tinha abotoado entendia mais de filigranas do que o ministro da Agricultura entendia de lavouras. Sem fatores que alterassem o produto, a mixa escolhida entrou no descanso do bolso da camisa e foi a vez do zoom da Nikon entrar em função de. Coisa também fácil. Afinal, investigar não é só seguir vestígios de, fazer diligências para achar ou examinar com atenção, que me perdoe a boa vontade do verbete do Dicionário do Aurélio. No Brasil, investigador particular, excluindo os alcagüetes da CIA e da KGB, disfarçados de camelôs da Avenida Rio Branco ou de bolsistas de fundações biodegradáveis, é que nem gato vira-lata. Por falta de apoio logístico caça sempre só. Por isso, tem que entender tanto de periféricos quanto o einsteiniano Didi entendia de folhas-secas futebulescas. A comparação parece boba, mas bobos eram os goleiros que não acreditavam que a distância mais curta entre dois pontos não era uma reta, era uma curva, e só davam conta do erro quando a bola descia das alturas e batia lá bem no fundo da rede. Se foi uma folha-seca que garantiu à seleção brasileira o carimbo no passaporte para ir à Suécia e ganhar o caneco da Copa do Mundo de 1958, também foi um doutorado em tirar e revelar fotografias que me garantiu aquele royal straight flush do Hotel das Paineiras. Nunca fui campeão mundial de negativos, mas sempre soube dar o clique certo na hora certa. Nada de habilidade de craque ou dom de mediúncias. Questão, apenas, de nunca esquecer que a gasolina do meu Porsche Turbo 3000 e o Ballantine’s da minha digestão dependiam da quantidade de algarismos que o cidadão colocava no cheque com que comprava as minhas evidências.

Ajustado o zoom para o flagra na distância dos dois metros, à cautela, mirei a maçaneta da porta e verifiquei a nitidez do enquadrado. Perfeito. A não ser que um tal de Poseidon, que, me disseram, ainda é o deus do mar mesmo com os submarinos atômicos comandados por Washington e por Moscou, interferisse em favor de todos os pinípedes, à distância de dois metros não tinha apelação. Se bobeasse, até grito seria revelado. Satisfeito com o ajuste milimétrico, disparei o flash e o último finalmente da lista funcionou que nem telefone em Caxambirra. Ainda nem pegou no aparelho e já sobra linha na rede.

Terminada a operação check-list, para quem tinha decorado a Primeira epístola de São Mora aos Incréus, mais check menos check não interferia no sotaque, resolvi fazer mais uma tentativa. Com o chrono do meu casio alarm conformando 23:57 43, já cento e vinte e seis segundos tinham entrado nos cofres de São Pedro. Quem sabe, tempo suficiente para a nossa muito mais do que querida Florismália ter dado o passo decisivo? Na mosca. A campainha do telefone tocou uma, tocou duas, tocou três e nenhum alô encerou o meu ouvido. Não é por nada, não, mas meu velho pai tinha razão. Só não acerta na segunda quem já acertou na primeira. Finalmente, uma das cenas mais dramáticas ia entrar em função de.

Mesmo não tendo duas louras peitudas e não gostando de bourbon, já que o meu Santo Expedito tinha achado que a causa era urgente e o negócio precisava de pronta solução, por que não dar uma de detetivão à lá O Momento Culminante: X do Problema versus S da Solução e comemorar a vitória? Afinal, se é o dinheiro que compra a honra do mundo, não é a honra da pátria que compra o feijão e o arroz do cidadão. Como muito bem dizia o velho Abílio Quitandeiro, vascaíno roxo e meu falecido tio e padrinho, mais vale ganhar do São Cristóvão num estádio Figueira de Melo sem ninguém, do que perder do Flamengo no Maracanã mais lotado do que lata de sardinha.

Resolvida a comemoração, mandei ver um souza cruz e comecei pelas tragadas. Há quem goste de começar pelos gritos, mas de gritos eu enchi o saco na Central da Rua da Relação, nos meus tempos de tira e suposto sustentáculo da ordem constituída, vendo como os padres confessores da catedral de Brasília arrancavam confissões na base da porrada a quem não acreditava nas qualidades do modelo da democracia brasileira. Por isso, muito democraticamente, comecei pelas tragadas. Duas veja-só e uma corta-luz. Preenchidas as necessidades pulmonares, foi a vez do óleo do motor. Um Ballantine’s mediano, só para clarear as vistas e amaciar as juntas das pernas e dos dedos, e a disposição de secar as lágrimas da Lassie, mesmo que nunca tivesse sido santa, subiu pelas paredes. Agora, era abrir a porta do destino e ver que bicho dava.

Deu águia na cabeça. Na minha frente, quase entrando numa de cena mais dramática, a nossa muito mais do que querida Florismália mais deixava ver o que seria visto nas filmagens, do que tapava aqueles acostamentos tão bem acolchoados.

- Eu sabia que era você.

Dizem que o que mais apavorou o presidente Jânio Quadros não foi o fantasma das forças ocultas que o chutaram de Brasília, foi um repórter perguntar por que tinha renunciado e ninguém ter entendido a resposta: fi-lo porque qui-lo. Eu nunca renunciei a nada na vida e sempre tive o maior respeito pelos donos da gramática, mas, confesso, também fiquei apavorado. Não com medo de fantasmas, nesse ponto o presidente e eu tínhamos as mesmas convicções, mas que apavora você ter uma certeza e, de repente, não ter nada, nisso até o Serviço de Meteorologia acerta in vivo. Num país onde um ministro jura que a gasolina não vai aumentar e, no dia seguinte, aumenta até a altura das ondas da praia de Ipanema, uma certeza vale cada grama que pesa. E eu tinha uma que pesava até mais do que as consciências dos padres confessores da catedral de Brasília. Depois daqueles três toques sem nenhum alô, quem poderia duvidar que a nossa mais do que querida Florismália não tinha dado o passo decisivo? Por isso me apavorei. Na real, realíssima, ou eu já não era aquele patriota que tinha conseguido adaptar a gabardine e o chapéu do Humphrey Bogart e os 212 graus farenheit da Lauren Bacall ao asfalto da Avenida Rio Branco, ou o matador de cururus me tinha feito um serviço muito mais que completo. Além de cabelo, barba e bigode, um baita de um banho que me afogou em tremeliques. Salvaram-me da depressão onde estes dois ou ou me tinham mergulhado os pianíssimos acordes do Estudo Nº 1 com que o Villa-Lobos vestiu aqueles acostamentos em que qualquer Nelson Piquet adoraria ser multado.

- Posso entrar?

Tem hora que até promessa de político vira jura de evangelho. Depois da balançada que aqueles dois ou ou tinham dado no meu coreto, chutar o balde daquele posso entrar era que nem ganhar na loteria e dar uma de São Francisco de Assis, a maior riqueza está no céu. Só que os pianíssimos acordes ainda gorjeavam tanto nos ouvidos que quase perdi o prumo e desmilingüi no carpete. Se bem que desmilingüir era o de menos. O pior era a voz que não saía, nem puxada à força de pigarro. E quanto mais olhava aqueles acostamentos e imaginava o que não fariam se entrassem numa de cena mais dramática, mais o pigarro perdia força e mais a voz sumia no oco do gogó.

- Algum problema?

Ah, meu Santo Expedito se tem causa mais urgente e negócio que mais precisa de pronta solução é inverter agora a ladeira da goela e deixar o som da voz escorregar no tobogã. Graças a Deus que fé é fé e buré é mingau de milho verde. Ou você acredita mesmo e o milhar dá na cabeça, ou você duvida do santo e não tem fezinha que dê jeito. Mais crente nas virtudes do meu santo do que o presidente Médici no silêncio dos defuntos da democracia brasileira, apesar dos Laboratórios DOI-CODI, Confissões & Sumiços Ltda trabalharem noite e dia na procura de vacinas, não deu outra. Foi invocar o sagrado e o pigarro virar sinfonia de canário.

- Não. Não. Nenhum.

- Parecia.

Parecer, já lá dizia meu velho pai, ó pianíssimos acordes compostos para tirar a roupa nas cenas mais dramáticas, é que nem comer jabuticaba. Morde preto e chupa branco. Portanto, sem essa de parecismos, viu, parecerista? Já com o prumo nos conformes e a desmilingüição sumida que nem refrão de povo unido jamais será vencido em cantata orquestrada pelo DOPS, firmei a minha condição de Adauto Simplício e mandei ver uma de inteira segurança. Afinal, taifeiro da marinha do Tio Sam pago em dólar não afina perna em marolinha de injeção hipodérmica, não, senhor.

- Como é que você soube que era eu?

- No telefone?

- Hum, hum.

Lembra daquele hum antes do mil escrito no extenso dos cheques para desmanigar manigâncias e evitar que o saldo da conta do emitente batesse na delegacia de polícia mais à mão? Não tem nada a ver, mas dá para mostrar que eu sempre fui um sujeito duplamente precavido. Se nos cheques, que valem dinheiro, sempre escrevi apenas hum, nas intenções, que só valem o que podem vir a valer, se valerem, jamais arrisquei o futuro com menos de hum, hum. E sempre me dei bem. Tão bem, que até a parecerista sentiu a diferença e respondeu, rápida e rasteira, que nem o Pedro Álvares Cabral que descobriu o aparelho de escuta no gabinete dos cavalos do presidente Figueiredo naquela bendita sexta-feira, 11 de março de 1983, feliz conjugação da lua minguante com o anjo Damabiah, e protegida pelas orações de Santo Eulógio, São Cândido, São Firmino, abade, e São Constantino, rei e mártir.

- Fácil. Todo mundo chegou sexta-feira e até hoje ninguém ligou pro meu ramal. Você chega, me conhece e o telefone logo toca. Quer que eu pense o quê, hem?

Quando me contaram que um tal de Guilherme Figueiredo tinha dito que pensar exige dedicação integral, eu não acreditei. Como poderia o Povo Eleito cumprir o preceito do Senhor de crescer e de se multiplicar se parasse para pensar? Ou não pensava ou não se multiplicava. Ou então... Mas não era hora de congeminar despautérios, como dizia minha santa mãe que Deus tenha sempre o que velho Eduardo da Micas do Ferreiro, seu marido nas cláusulas da lei de Deus e meu pai nas espirais das molas do colchão, se lembrava daquela de tal de Serra do Gerês e abria o mais lusitano dos bués. Com os pianíssimos acordes ainda em pé, junto da porta, e eu ali bestando que nem araponga do SNI catando fuscas na garagem do deputado Paulo Salim Maluf, se pensar exigisse mesmo dedicação integral, adeus acordes das cenas mais dramáticas. Não é por nada, não, mas tem hora que se você não mostra quem é ninguém acredita que você possa ser. Portanto, às urtigas a dedicação integral e vamos, pelo menos, cumprir parte da metade do preceito do Senhor.

- E quem disse que eu quero que você pense? Eu só quero...

Na mosca. Foi eu comandar aquele só quero e o transitivo direto da porta bateu na fechadura que nem cofre de banqueiro em cara de candidato de oposição, fundamentalista ou ecológica. Mas não foi só o direto que transitou. Os pianíssimos acordes também acompanharam o trânsito na maior satisfação.

- Eu também.

E nada mais foi dito, que o dramatismo da cena falava mais do que as 1517 páginas do Dicionário do Aurélio, 3ª impressão da 1ª edição sem aumentos ou rasuras. Razão tinha o ministro Armando Falcão em preservar o subtexto do seu espartano nada a declarar. Não é nada, não é nada, mas quando o ato vira fato, botar complementos no angu só piora o paladar. E foi neste clima da mais perfeita conjunção que foi rendida a guarda angelical. Ao pintar 0:00 00 no chrono do meu casio alarm o anjo Lauviah passou o bastão ao anjo Caliel, e os santos Victor, mártir, Vicente, diácono e mártir, Gaudêncio, bispo de Novara, e Anastácio, mártir, trocaram figurinhas e guaritas com os santos Áquila, mártir, Ildefonso, bispo, Severiano, mártir, Clemente, bispo e João Esmoler, também bispo, e o marfim rolou na cama que nem pororoca na foz do Amazonas.

Mas foi bom. Pelo menos deu para o esforçado Adauto Simplício ver que bastava um só pau para fazer uma canoa e, depois de muitos mares navegados, foi a vez de Caliel, o venerável anjo do dia, chegar com as notícias. Apesar das aparências, não era com os pianíssimos acordes que o pinípede florismava o quadrado da largura. O que também foi muito bom. Com mais cinco sovacos giletados na lista dos prováveis roladores de marfim, ainda dava para descolar mais uns quantos Benjamins da conta da Nunca Fui Santa e, quem sabe, caramelar até outros dramatismos. E botar na roda o meu mais adequado sonho de consumo. Tirar a rolha do frasco do Chanel, com ou sem numeração.

 

Cunha de Leiradella no TriploV

 
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